quinta-feira, 3 de novembro de 2011

  ''É feio Tânia, nem digas que não.''
  ''Não é, tu é que nunca o viste com olhos de ver.''
  ''Vi sim.''
  ''Mas não viste com os olhos que eu vi. Não viste nada do que eu vi. Não viste o sorriso maroto quando ele não acabava uma frase e eu já sabia que ia sair asneira. Não viste para além de todo o exterior o rapaz fantástico que ele era e nunca reparaste no brilho nos seus olhos quando falava no Braga. Quando ele queria fazer cara de mau mas simplesmente não conseguia parar de sorrir por causa dos meus mimos e do que eu dizia. Quando ele amuava e dizia ''vou-me embora'', dava dois passos em frente e voltava a correr para me abraçar. Nunca viste os lábios dele de perto, nunca reparaste nos seus olhos castanhos com o verde camuflado. Jamais viste o rosto dele tocar o teu e jamais sentiste a sua pele macia tocar tua cara. Nunca viste a cara que ele fazia quando implorava que eu não lhe espremesse os pontos negros.
  Eu vi-o de uma maneira que nunca ninguém o viu e jamais verá, vi-o com os meus olhos e nunca ninguém poderá ver o que eu vi.
  ''Mas ele não te merece.''
  ''Uma coisa não casa com a outra. Eu (ainda) o amo e ele não. Ele não me merece e eu morro de saudades. Ponto. Nada mais a fazer.''



Escrito por: Tânia Ferreira

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